quarta-feira, 23 de maio de 2012

Agraciada e agradecida



Era dia de sessão Bolotinha na Drª Maria Teresa e estávamos animados pra ver nosso filhote. Dessa vez a ultra era morfológica, o que nos garantia 2 horários da agenda da médica. Quase um média metragem! Seguindo as orientações de livros e conhecidas, taquei 2 bombons pra dentro, pra deixar o bichinho animado e assim poder ver mais os seus movimentos, com detalhes de todos os ângulos.

Funcionou! O chocolate atiçou o moleque na medida certa e ele deu um show na telinha. Após as medições feitas no bebê a médica constatou que estava tudo bem com ele, porém desconfiou de uma complicação no meu útero. Então fez uma ultra complementar que confirmou sua suspeita. Eu estava com o colo do útero encurtado, o que na prática significa que era como se estivesse entrando em trabalho de parto aos 5 meses de gestação. Todo cuidado era necessário para evitar a evolução desse quadro, que poderia resultar em um aborto tardio.

Em uma demonstração de profissionalismo rara de se ver nos dias atuais, a Drª Maria Teresa foi muito criteriosa em seu exame, zelosa no trato comigo e atenciosa ao fazer contato com minha médica, garantindo que eu sairia de lá direto para o consultório dela.

Sentimentos confusos. Vivenciava uma mistura de tranquilidade, por ver meu bebê bem e sadio, com preocupação, por não saber direito como garantir que ele continuasse bem.

No exame clínico a médica constatou o encurtamento do colo e me diagnosticou com um tipo raro de deficiência denominado IIC (incompetência istmo cervical). Parece que o problema atinge 1 em cada 1000 mulheres e representa uma fragilidade muscular do colo, que vai cedendo com o peso da barriga. Como resultado, a grande maioria das mulheres que apresentam esse problema só o descobrem depois de 1 ou mais abortos tardios sem explicação. Nesse caso, não há contração, nem dor, nenhum sintoma. Assim, quando a mulher percebe que há algo de errado e procura socorro médico, o filho já está nascendo, porém muito novinho e sem condições de se manter fora do útero.

Ao saber disso, vivenciei um verdadeiro estado de graça, pois se Deus não existe, o acaso foi simplesmente divino comigo. O universo conspirou a nosso favor e garantiu que eu estivesse no lugar certo, na hora certa e com as pessoas certas para contornar um problema que eu nem mesmo suspeitava ter. Desde então dou graças a Deus todos os dias pela graça que recebi.

Como medida preventiva fui submetida a uma cirurgia chamada cerclagem, que consiste em costurar o colo do útero para evitar que se abra. Superado o risco cirúrgico, me mantenho em repouso absoluto para garantir que meu filhote continue no Planeta Barriga até que tenha condições de habitar o planetinha azul.

Um comentário:

  1. EStamos muito felizes de que esteja tudo bem com vocês!
    Bolotinha espera a hora certa, vai chutando mamãe, dando cambalhotas até que possa nos alegrar com seu desdentado sorriso e estridente choro, mas ainda assim lindo!!! rsrsrsr
    Beijos.

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