segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Seu coração


Dizem que as grávidas fazem coisas estranhas, tem desejos esquisitos e que enlouquecem os maridos com suas maluquices. O fato é que não há regra, cada uma reage de um jeito aos benditos hormônios que explodem no nosso corpo e nos deixam à flor da pele.

Eu que não costumo tomar remédios alopáticos e nem sequer tomava anticoncepcional, sou sensível até mesmo a pequenas doses de substâncias usuais. Maracujá me dá sono e guaraná me deixa ligadona, boldo melhora minha digestão e massa me prende o intestino. Tudo que bate reage.

Assim foi com o aumento do HCG, os enjôos foram constantes a ponto de não conseguir fazer nada. As crises de choro também foram marcantes e minha alimentação mudou radicalmente. Nessas circunstâncias meus hábitos alimentares, tidos como saudáveis, foram abalados. Caramba, você se sente completamente enjoada e sem vontade de comer nada, mas quanto menos come, mais enjoada fica. Então, a regrinha de comer a cada 3 horas foi mantida, mas a qualidade dos alimentos foi drasticamente alterada. Nada de fibra, nada de verdura crua, nada de suquinho natural, nada disso me apetecia. Então tive que me virar pra não extrapolar nas porcarias e me agarrei nas frutas, que eram bem aceitas.

Confesso que nesse período não deu pra curtir a gravidez. Lembrei das histórias que ouvi e li que maldiziam a gestação. Lembrei que até então eu as achava muito estranhas, porque as sensações ruins não poderiam pesar tanto diante da magia de gerar uma vida em seu ventre. E, de fato, não pesam, mas são presentes, marcantes e devem ser ditas.

E foi diante desse quadro que fiz meus primeiros exames de pré-natal. Os exames clínicos indicam que está tudo dentro da normalidade comigo. Série branca, série vermelha, glicose, colesterol, tudo ok. Chega então a hora de avaliar a “bolotinha” e vamos à ultrassonografia.

Sem palavras, não há como expressar esse sentimento! Uma coisinha de apenas 21 mm já tem estruturas perfeitas e um coração pulsando a 174 batimentos por minuto. Tudo cai por terra, qualquer sentimento ruim, qualquer hesitação, qualquer dúvida. Edu e eu ficamos boquiabertos, mudos e tomados de amor um pelo outro e ambos por nosso filhote.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Dar e receber

Banheira da minha sobrinha, que será usada pela 4ª criança.

Eis aqui um dos meus temas favoritos no momento: o troca-troca de objetos infantis usados. Usados é brincadeira né, a maioria é no máximo semi-nova e eventualmente nunca foi usada, pois a criança espichou antes do esperado.

Sim, tem aqueles pais que querem tudo novinho, com cheiro de loja, e não chegam a aproveitar os pertences nem de um filho para o outro. Pois bem, acho que sou o extremo oposto desse perfil. Como a terceira filha de minha família, aproveitei o que podia e não podia dos meus irmãos mais velhos. Os clássicos, que ainda guardo na memória, são: o berço, a minha primeira bicicleta e os livros da escola.

Hoje com uma boa condição de vida, meus pais começaram sua vida a dois com muito pouco e, sem saber, suas atitudes foram o principal pilar para os valores que carrego no peito. A formação profissional fortaleceu ainda mais minha posição, agregando novos valores ao princípio do “não desperdício”. Fortalecimento das relações interpessoais, economia de recursos naturais, aumento da vida útil dos materiais e diminuição da produção de lixo lideram minha longa lista de vantagens atribuídas ao uso dos “usados”.


Essa é uma cultura que sempre existiu entre nós, mas que certamente, como tantas outras, vem perdendo força nesse nosso estranho sistema que insiste em botar o lucro acima de tudo. A palavre de ordem é “compre, compre, compre”. Porém, contrariando o sistema, fico bem feliz quando alguém me oferece os pertences que foram do filho.


Nesse aspecto, podemos dizer que nosso filhote está bem servido. Os amigos já nos ofereceram carrinho de passeio, cadeirinha de papinha, canguru e até cadeirinha para o carro, que vamos deixar com nossos pais, pois nos desapegamos de nosso carro há uns sete anos e assim pretendemos continuar.


Se a criaturinha que carrego no ventre for menina, herdará para o resto da vida os pertences da nossa sobrinha e afilhada Mariana, que hoje tem um ano de vida. Se for menino, também terá muita roupinha herdada dos filhos de primos e amigos. Então vamos aguardar a tão esperada e ainda tão distante ultra que nos dirá o sexo do bebê!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Presentes, presentes!



Lá se foi o primeiro mês de gestação e, com ele, a esperança de escapar das agruras do primeiro trimestre. Os enjôos matinais chegaram com força total e às vezes se estendem até o meio da tarde.

Ironia é ter que passar por isso em plena fase dos excessos. Bem quando aquele pedaço a mais de panetone não pesaria tanto na consciência, ou mesmo aquela rabanada extra estaria liberada. Nada disso foi possível. O Natal e o Ano Novo foram na base da dieta involuntária e completamente sem lógica. O alimento da vez era aquele que a mente aceitava minimamente, o que não garantia que o estômago seria cúmplice da mesma aceitação.

A notícia de nossa gravidez chegou como um grande presente de Natal para todos os familiares e amigos. Como estamos juntos há muito tempo e somos um casal bem unido, nada mais esperado pelas pessoas que nos cercam do que a ampliação da família, uma das grandes expressões de nossa cultura. E por falar em cultura, nos dias de hoje presentes são retribuídos com: PRESENTES! Sim, nosso filhote já ganhou vários, mesmo sendo um recém-embrião. Brinquedinho, um macacãozinho mais lindo que o outro, bodys foférrimos, mantinha, toalhinha...

Apesar de minha veia ambientalista e anti-consumista, confesso que o sentimento que me toma ao receber cada presente é de ter a certeza que sou uma pessoa abençoada, que essa criança já é cercada de amor, além de poder contar com os recursos materiais necessários pra ter um desenvolvimento saudável. Não dá pra ignorar que certas posturas “ecologicamente corretas” são muito mais fáceis de serem encaradas por que já tem uma estrutura material concreta. Imaginem se uma mãe com pouco ou nenhum recurso financeiro iria se preocupar em ganhar mais roupinha para o seu filho do que ele possa precisar?


Mas reflexões socioambientais à parte, ainda estou longe de ter que me preocupar com as quantidades. No momento, curto os presentinhos e sigo alimentando a lista de “coisas da bolotinha”.