sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Ser mãe



Já é de costume as mães de primeira viagem quererem saber tudo que está acontecendo com seu corpo e acompanhar todo o desenvolvimento do bebê nos mínimos detalhes. Pelo que percebi, do segundo filho em diante o assunto já não é mais novidade, e os estudos embriológicos de internet ficam esquecidos.

No meu caso, somo a formação de bióloga à minha vontade louca de saber tudo que está acontecendo lá dentro. Há poucos meses lecionei sobre o tema com meus alunos e agora resolvi retomar as lições de embriologia. Logo que descobrimos, apenas com 3 semanas completas de gestação (5 se contada a data da última menstruação), fizemos a primeira ultra. A médica de antemão já avisou que não seria muito emocionante por estar no estágio inicial. Tecnicamente nosso bebê estava na fase de blastulação, o que na prática aparecia na tela como uma bolotinha, medindo poucos milímetros.

Agora, com 4 para 5 semanas, nossa bolotinha já está desenvolvendo o tubo neural, responsável pela formação do sistema nervoso, e órgãos fundamentais como o coração. Já temos um embrião, que por enquanto mais parece um girininho.

Imersa nesse universo, experimentei as primeiras sensações de ser mãe. Na cartilha da maternidade, a qual me parece que a maioria das mães seguem à risca, estão sentimentos como amor incondicional, proteção, provimento e posse. Eles me vieram como uma enxurrada, um puxado pelo outro até que se misturassem de uma forma indissolúvel.

Essa coisinha tão frágil que carrego no ventre já provoca em mim um amor profundo, e sua fragilidade desperta meus instintos de proteção. Já não saio correndo, não fico no sol quente, procuro dormir bem e me cerco de cuidados o tempo todo. Sou a única pessoa neste mundo capaz de lhe fornecer os nutrientes necessários ao seu desenvolvimento. Então me alimento bem, mais em qualidade do que em quantidade, evito porcarias e, mesmo com um certo enjôo, não deixo de comer a cada 3 horas.

Com tantos cuidados, a última das sensações era inevitável. Essa noite, ao me dar conta com tanta clareza da fragilidade desse ser, fui tomada pelo medo de perdê-la, o que também é bastante comum às mães de primeira viagem. Mas foi com o medo da perda que me dei conta que já havia sido infectada pelo sentimento de posse.


Nessa hora o Edu constatou que “a bolotinha já faz parte de nossas vidas aconteça o que acontecer”. Isso certamente me confortou e me permitiu exercitar a máxima de que não devemos criar os filhos para nós, mas para garantir que tenham condições de seguirem seu caminho. E assim fortaleço mais em meu coração a certeza de ser mãe do que a vontade de ter filhos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011


Bom, mesmo com tanto preparo, nos sentimos em parte surpreendidos com a novidade. A cabeça vai a mil e a ansiedade bate forte.
 

De sintomas, tenho tido apenas umas cólicas suaves, que segundo o médico são normais. Minha dieta passou a ter refeições a cada 3 horas, com muita fruta e pouca gordura. Claro, acho que meu corpo já tá mudando, enquanto o resto do planeta não nota a menor diferença.
 

Mas, sabe aquela máxima de que a mulher grávida fica serena, sonolenta e enjoada? Ao que tudo indica já estou sendo uma mãe fora do padrão.  Até agora ao invés de sonolência levo um pouco mais de tempo pra dormir, pensando na vida. Ao acordar não tenho mais minha famosa esticadinha de alguns minutos, pois a cabeça já começa a funcionar e eu logo decido levantar pra iniciar um novo dia.
 

Quanto aos meus desafios de tornar a gestação e a maternidade mais sustentáveis do que de costume, venho colecionando frases, às quais pretendo não ter de responder com palavras, mas com reflexões e ações. Fico muito feliz quando familiares e amigos dizem que querem dar presentes, comprar mimos e tudo mais para o bebê, pois sei que é uma maneira de demonstrar afeto e carinho. Minha tarefa aqui é encontrar um limite, para que o ato de materializar o amor sentido não ultrapasse a linha do consumismo.
 

É claro que essa linha é imaginária e só o Edu e eu podemos determiná-la na prática. Para facilitar o processo, não hesitaremos em lançar mão de experiências anteriores. A mais marcante delas é a ideia de uma grande amiga, que desenvolveu uma planilha com tudo que julgou necessário, onde foi registrando o que ia ganhando e comprando. A mesma amiga, recentemente mãe, agora tem noção do que não precisava e do que fez falta. Assim, nossa planilha já vai começar com um upgrade a partir da vivência da Vivi, do Cesar e da pequena Laís.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Histórias de uma mãe sustentável... ou que pelo menos tenta ser


Há muito já se sabe que o conceito de sustentabilidade é algo questionável, que dá margens a ações paliativas, marqueteiras, políticas etc.
 

Mas com quase dez anos trabalhando com questões ambientais sigo em busca de um ideal de sustentabilidade. Não no discurso ou nos anuários. Confronto minha busca com a vida real, de dia, de noite, em casa, no trabalho, no campo, na cidade, no convívio com os amigos e familiares.
 

Bom, vale lembrar que faço tudo com muito prazer e sem pesar. Ao meu lado, tenho um companheiro daqueles feitos com fôrma singular, uma pessoa a quem admiro e me inspira a cada dia. Estamos juntos há 12 anos, dos quais o último passamos nos preparando pra trazer uma nova vida a esse mundo.
 

Se para um ambientalista os objetos devem ser valorizados e usados com critérios a fim de preservar seus recursos naturais, mais valiosa ainda é uma vida. Gerar uma nova vida é lindo, é divino. Só que para nós não era suficiente, não respondia nossas inquietações com relação aos modos de vida atuais, às condições de se criar uma criança nos padrões de valores e consumo da sociedade contemporânea.
 

Durante esse tempo, obviamente não conseguimos respostas, só que amadurecemos a ideia e nos sentimos fortalecidos para encarar a tarefa, ir aprendendo na prática, ir construindo essa história a cada dia sem planejamentos engessados, mas seguros de nossa decisão.
 

Após a decisão tomada bastou uma tentativa para o Sr Esperma conquistar a Srª Óvulo e abrir as portas da esperança. Assim, começamos hoje, com 3 semanas de gestação, uma longa jornada pela busca de uma vida simples e feliz para o nosso bebê.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Boas Leituras!

Desde que descobri a presença de um serzinho em meu ventre, as reflexões de gerar uma nova vida nesse mundo tem me tomado.

Por isso, há algumas semanas venho registrando o pouco que minha mente consegue captar das transformações que estou passando.

Depois de mostrar os textos ao meu companheiro e a alguns poucos amigos, fui convencida de criar um blog, por ora restrito a convidados, onde vou publicar meus escritos e espero travar um diálogo com vocês, meus amigos queridos.

Sejam bem vindos ao blog do "Pequeno Bolotinha", uma criaturinha que foi gerada de um amor verdadeiro e que cresce surpreendentemente a cada dia.