Lá se foi o primeiro mês de
gestação e, com ele, a esperança de escapar das agruras do primeiro trimestre.
Os enjôos matinais chegaram com força total e às vezes se estendem até o meio
da tarde.
Ironia é ter que passar por isso
em plena fase dos excessos. Bem quando aquele pedaço a mais de panetone não
pesaria tanto na consciência, ou mesmo aquela rabanada extra estaria liberada. Nada disso foi possível. O Natal e o Ano Novo foram na base da dieta
involuntária e completamente sem lógica. O alimento da vez era aquele que a
mente aceitava minimamente, o que não garantia que o estômago seria cúmplice da
mesma aceitação.
A notícia de nossa gravidez
chegou como um grande presente de Natal para todos os familiares e amigos. Como
estamos juntos há muito tempo e somos um casal bem unido, nada mais esperado
pelas pessoas que nos cercam do que a ampliação da família, uma das grandes
expressões de nossa cultura. E por falar em cultura, nos dias de hoje presentes
são retribuídos com: PRESENTES! Sim, nosso filhote já ganhou vários, mesmo
sendo um recém-embrião. Brinquedinho, um macacãozinho mais lindo que o outro, bodys foférrimos, mantinha, toalhinha...
Apesar de
minha veia ambientalista e anti-consumista, confesso que o sentimento que me
toma ao receber cada presente é de ter a certeza que sou uma pessoa abençoada,
que essa criança já é cercada de amor, além de poder contar com os recursos
materiais necessários pra ter um desenvolvimento saudável. Não dá pra ignorar
que certas posturas “ecologicamente corretas” são muito mais fáceis de serem
encaradas por que já tem uma estrutura material concreta. Imaginem se uma mãe
com pouco ou nenhum recurso financeiro iria se preocupar em ganhar mais
roupinha para o seu filho do que ele possa precisar?
Mas reflexões socioambientais à parte, ainda estou longe de ter que me preocupar com as quantidades. No momento, curto os presentinhos e sigo alimentando a lista de “coisas da bolotinha”.

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